Por Valdeci Fidelis:
A FEC (Fechadura Engenharia e Comércio) é uma empresa que marcou época no Brasil, especialmente entre as décadas de 70 e 90, sendo muito conhecida por suas fechaduras de alta segurança e cofres.
Atualmente, o cenário da marca é o seguinte:
A FEC ainda existe sim, a empresa continua operando, embora sua presença no varejo físico seja menos dominante do que no passado. Ela passou por reestruturações e hoje foca bastante em canais de distribuição especializados e parcerias de engenharia. É comum encontrar produtos sob a sigla FEC ou em modelos específicos que mantiveram o nome, como a famosa linha de fechaduras elétricas e de sobrepor.
Rumo Tecnológico Anual
A FEC tem seguido a tendência global de segurança conectada, deixando de ser apenas uma empresa de "ferragem" para se tornar uma empresa de controle de acesso. Os principais pilares tecnológicos que ela segue são:
1. Eletrificação e Automação
O carro-chefe tecnológico atual são as fechaduras eletromagnéticas e solenoides (como o modelo FEC-91). Elas são projetadas para integração com:
Interfonia e Vídeo Porteiros: Integração nativa com sistemas de prédios e condomínios.
Sistemas de Arduino e IoT: Muitos de seus componentes são usados por desenvolvedores para criar automações residenciais personalizadas.
2. Biometria e Acesso sem Chave
Anualmente, a marca renova seu portfólio de fechaduras inteligentes (Smart Locks). O foco tem sido em:
Leitura Biométrica: Sensores de impressão digital mais rápidos e resistentes a fraudes.
Sensores de Gabinete: Fechaduras invisíveis para armários e escritórios que funcionam via Bluetooth ou cartões RFID.
3. Engenharia de Materiais
Diferente das marcas populares, a FEC mantém um investimento em metalurgia de alta resistência. O rumo tecnológico aqui é o uso de ligas de zinco e aço inox que resistem à oxidação em ambientes litorâneos e a tentativas de arrombamento mecânico (perfuração).
Resumo da Evolução
Valdeci Fidelis: Fechadura Tec. em mestragem
Atualmente estes são os seguimentos dos produtos:
No contexto da FEC e da evolução do mercado de segurança e ferragens no Brasil, especialmente entre as décadas de 1970 e 1990, houve um intenso processo de fusões e aquisições. Muitas marcas que o senhor deve recordar como líderes de mercado foram absorvidas por grandes grupos globais.
Aqui estão as principais marcas que faziam parte desse nicho e o que aconteceu com elas:
O Grupo ASSA ABLOY (A maior consolidação)
O grupo sueco Assa Abloy é o principal responsável pela transformação das marcas antigas em "sub-marcas". Ele adquiriu os nomes mais tradicionais do Brasil:
Papaiz: Fundada em 1952, era a marca de referência em cadeados e fechaduras de latão. Hoje ela pertence ao grupo Assa Abloy, mas mantém o nome como uma marca "premium".
La Fonte: Conhecida pelo design sofisticado e alta segurança. Também foi integrada ao mesmo grupo, focando hoje em projetos arquitetônicos de alto padrão.
Yale: Uma das marcas mais antigas do mundo (inventora do cilindro pin-tumbler), que no Brasil operava de forma muito forte. Hoje é a marca "global" do grupo para fechaduras digitais.
Silvana: Marca muito comum no mercado de construção civil, focada em custo-benefício, também foi adquirida para compor o portfólio do grupo.
Outras Marcas Clássicas e seus Destinos
Além das citadas, outras marcas dominaram o mercado em que a FEC atuava:
Pado: É uma das poucas que permaneceu independente e competitiva. Fundada em 1936, a Pado continua sendo uma das líderes de mercado, investindo pesado em design e tecnologia própria, sem se tornar sub-marca de grupos estrangeiros.
Aliança: Outra marca extremamente tradicional (frequentemente encontrada em ferragens de portas de ferro e portões). Segue ativa de forma independente no mercado nacional.
Soprano: Marca gaúcha muito forte no setor de móveis e construção civil. Continua operando com marca própria e diversificou muito sua linha de produtos.
Gold: Uma marca que foi muito popular em fechaduras e cilindros, hoje faz parte do grupo Allegion (concorrente da Assa Abloy), que também detém a famosa marca Schlage.
As "Sub-marcas" e o Sistema de Mestragem
Como o senhor tem interesse técnico em sistemas de mestragem (master-keying), vale notar que a consolidação dessas marcas facilitou a criação de sistemas integrados.
Antigamente, era difícil fazer uma chave mestra para fechaduras de marcas diferentes. Com a criação desses grupos, as "sub-marcas" passaram a compartilhar a mesma tecnologia de cilindros, permitindo que um único condomínio ou empresa use produtos Papaiz e La Fonte abertos pela mesma chave mestra, por exemplo.
O senhor se recorda de alguma marca específica que utilizava na época da faculdade ou em algum projeto de construção?